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Brasil sem vacina: somos uma só nação?

O governo brasileiro errou no controle da pandemia, ao implementar uma estratégia de negacionismo, ignorância e genocídio. Não houve planejamento e reação por parte do governo federal, faltou uma mensagem unificada à nação, com orientações claras quanto às medidas realmente eficazes no combate à pandemia.

O presidente da República tenta retaliar o nosso SUS a todo momento, com um desmonte continuo, de portaria em portaria, de desfinanciamento em desfinanciamento. Os mais atingidos são os 70% da população que utilizam o SUS, exclusivamente. É uma prática genocida que inviabiliza o direito à saúde de toda a população.

Os mais atingidos pelo genocida que ocupa a Presidência da República são os 70% que dependem exclusivamente do SUS

Agora, após meses de ações desarticuladas em meio a uma pandemia global, temos opções de controle por meio de diversas vacinas, produzidas por pesquisadores e farmacêuticas de todo o mundo. Entretanto, o governo federal, na pessoa do ministro da saúde, um não profissional da saúde, mas “especialista em logística”, segue na contramão do restante dos países e apresenta um plano sem planejamento para a distribuição das vacinas.

Em contrapartida, clínicas do setor privado manifestaram neste domingo (3) interesse na compra de 5 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, ainda não aprovada em nenhum país além da Índia e sem a conclusão da fase 3 de testes. A possibilidade da oferta de vacinas pela rede privada para aqueles que podem pagar, antes mesmo da oferta pelo SUS, é o resultado de um suco de retaliação do nosso SUS, consequência da inação e falta de transparência da gestão Bolsonaro/especialista em logística.

Vale colocar em jogo o livre mercado para vender vacinas contra um vírus letal em meio a uma pandemia global que já matou milhares de pessoas só aqui no Brasil? A estrutura, a experiência e os resultados do nosso Programa Nacional de Imunizações são reconhecidos mundialmente como um dos melhores do mundo e já diminuiu índices de doenças como poliomielite e sarampo.

Como não viabilizar a distribuição das vacinas para um país tão desigual como o Brasil? Que este desgoverno é incompetente e genocida todos nós já sabíamos, mas é de uma baixeza deixar outros ganharem muito dinheiro em cima da sua própria incompetência. A vacina é um direito, assim como a saúde. Por isso, exigimos de todos os entes federados, VACINA JÁ! Para todos, sejam eles pobres ou ricos.

 

Shauan Kevem

Estudante de Enfermagem da Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus, Bahia. Coordenador do Movimento O Povo e o SUS e bolsista do Núcleo de Educação em Enfermagem da UESC.

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