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JPD Entrevista Major Denice Santiago

Denice Santiago tem formação em psicologia e segurança pública, é pós-graduada em Gestão de Direitos Humanos e em Segurança Pública, é mestra em Desenvolvimento e Gestão Social e doutoranda no Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre a Mulher (NEIM), na Ufba.

Ela é candidata à Prefeitura de Salvador, pelo PT.

 

Jovens Pela Democracia: Quando surgiu o desejo de ser candidata a prefeita de salvador?

Denice Santiago: Antes de surgir o desejo de ser candidata à Prefeitura de Salvador, sempre levei comigo a vontade enorme de expandir meu trabalho na PM e proteger ainda mais as pessoas que mais precisam de cuidado em uma cidade ainda tão desigual. Por isso, encaro com naturalidade e coragem o novo desafio, ao ser escolhida pelo meu partido de coração para essa posição e poder sonhar mais alto por uma Salvador que tenha outras prioridades.

JPD: A boa relação com o governador Rui Costa ajudará ainda mais na governabilidade em Salvador?

DS: Sem dúvidas. O Governo da Bahia realizou uma revolução urbana na cidade. A crise sanitária nos mostrou a importância de trabalhar em harmonia com o Estado e deixar de fazer política quando o bem estar das pessoas estão em jogo. Salvador teve um avanço importante e estratégico, que considero ter colocado a nossa cidade de forma decisiva no seu lugar de uma grande cidade, de uma cidade que é uma grande metrópole em desenvolvimento e que colocou-se em condições de abrigar qualquer agenda nacional e internacional, além de atrair investidores e pessoas que queiram vir para Salvador trabalhar e impulsionar o nosso desenvolvimento junto conosco e isso deveu-se ao governador Rui Costa, que foi o melhor prefeito que Salvador poderia ter tido.

JPD: Como você avalia o governo Jair Bolsonaro?

DS: Avalio como um governo que aprofunda a agenda de antidireitos. O Brasil enfrenta umas das mairoes crises, se não a maior, de sua história. E muito dessa situação podemos creditar a responsabilidade ao atual governo federal de Jair Bolsonaro com suas propostas e atitudes. Eu sou diferente desse projeto. Eu sou pró-igualdade, sou pró direitos humanos.

JPD: Quais as suas principais propostas para Salvador?

DS: Acredito que estamos vivendo uma transição e a crise sanitária provocada pela pandemia do Novo Coronavírus nos apresentou uma cidade que vai precisar ser reconstruída, não apenas em hábitos novos, mas nos desafios que ela, a crise, nos apresentou, cabendo ao poder público responder a essas demandas, fazendo escolhas. O setor do diálogo, da construção coletiva, da cidade para todas as pessoas, uma cidade que cuida e que se preocupa e entende que cada um pode e deve fazer um pouco mais é nosso onto de partidada para começarmos a contruir uma Salvador cada vez melhor e cada vez mais inclusiva. Não tenho dúvidas que a saúde e a geração de emprego e renda são os nossos alvos principais e por isso vamos focar na construção de políticas públicas
articuladas em todas as áreas. Principalmente depois dessa pandemia, que vai nos exigir muito cuidado, acompanhamento, monitoramento e busca de diálogo com o Governo do Estado e com o Governo Federal e com a nossa bancada de deputados e deputadas para viabilizar Emendas de Bancada para assegurar uma virada positiva na nossa cobertura e ampliação de atendimento. Precisamos gerar e transferir renda para população e buscar novos postos de trabalho, acelerar o desenvolvimento e, assim, fazer o nosso povo sorrir mais.
Vou convidar todos para conversar, vou convidar os segmentos que empregam na cidade: os lojistas, o setor da construção civil, os comerciantes, o setor imobiliário, a rede particular de ensino, a rede de saúde privada, transportes coletivos, mercado de informática, entre outros.
Quero dialogar na construção de um amplo processo de retomada do nosso
desenvolvimento, procurando respeitar todos que também estão vivendo momentos de crise e que tem mantido os empregos e possibilitando a sobrevivência da parte formal da cidade.
Sentaremos com a sociedade, com os movimentos sociais, centrais sindicais, associações, faremos um grande pacto social para fazer a nossa cidade crescer e se desenvolver.

JPD: Se eleita, você acha que conseguirá aproximar o PT de alas que hoje o partido está afastado, como a dos militares, por exemplo?

DS: Sendo eleita o foco será transformar Salvador em um cidade mais inclusiva para todos. Essa reaproximação será fruto de políticas voltadas para esses profissionais, que são trabalhadores da segurança pública, e cuidando melhor da segurança pública, construindo uma Guarda Cidadã que proteja as pessoas da cidade.

Por que o PT?

DS: Minha paixão pelo Partido dos Trabalhadores (PT) vem de muito tempo. Sou militante do PT desde muito nova e defensora das políticas de inclusão que o partido colocou em prática no Brasil, na Bahia e em Salvador nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma, do ex-governador Jaques Wagner, hoje senador, e do governador Rui Costa. Lembro de meu pai dizendo que eu tinha que tirar o título para votar em Lula. E aquilo me deu muito orgulho, por fui andando, pra economizar o dinheiro do ônibus , tirar o título de eleitor.

JPD: Na prefeitura, de que forma continuará com o trabalho de prevenção à violência contra a mulher?

DS: A garantia da cidadania plena das mulheres é um dos focos da nossa Gestão Municipal. Nessa perspectiva, as políticas públicas vão ser planejadas a partir do reconhecimento dessa realidade, sobretudo em se tratando de Salvador, dada a magnitude de sua população feminina e negra. Com isso, vamos elaborar o Plano Municipal de enfrentamento à violência contra a mulher e ampliar o número dos Centros de Referência que realizam o acompanhamento das mulheres vítimas e em situação de violência, buscando atender à demanda de regionalização e recuperar e dotar de condições adequadas o atual Centro de Referência Loreta Valadares, que faz o acompanhamento dos casos de violência contra mulheres.

JPD: De que forma é possível diminuir as desigualdes em Salvador?

DS: Não podemos perder de vista que somos a cidade mais desigual entre as capitais brasileira. Isso é um desafio estruturante: superar essas desigualdades. Acredito que cabe a Prefeitura, além de dirigir a cidade, acreditar na sua gente e gerar oportunidades, investir e apoiar. Hoje
temos 40% da nossa população trabalhando na informalidade, além do número expressivo de desempregados. É preciso reconhecer isso e direcionar ações de governo para mudar esse quadro. Integraremos cultura, turismo, comércio e pequenos negócios e, desta forma, buscaremos acolher, respeitar, investir, ousar e conectar Salvador na busca de novos investimentos e perseguir a nossa obstinação de cuidar das pessoas, gerar renda, ampliar o atendimento, a prevenção na saúde, e investir em educação, em comunicação digital, em formação e qualificação profissional para gerar trabalho e dignidade para nossa gente.

JPD: Se eleita, você assumirá a prefeitura em janeiro de 2021. Não sabemos como será a nossa realidade até lá. Qual a sua expectativa quanto a isso, e quais são seus planos quando assumir?

DS: Não tenho dúvidas que será uma gestão muito desafiadora por conta do
momento que estamos passando. Porém, eu me sinto completamente preparada para realizar essa missão que é cuidar de Salvador e sobretudo cuidar das pessoas de Salvador. Nosso plano de gestão foi elaborado a partir das contribuições individuais das plenárias territoriais e com o apoio e colaboração de profissionais, técnicos, especialistas, militantes interessados em contribuir para uma Salvador mais justa, mais humana, cidade acolhedora, capaz de enfrentar seus enormes desafios, especialmente sua história de desigualdade.

JPD: Deixe uma mensagem para os leitores do JPD.

DS: Eu estou preparada. Eu me preparei. E eu quero cuidar de cada jovem que precisa de oportunidade na cidade de Salvador. Quero levar um projeto de aprofundamento dos direitos e de combate intenso às desigualdades para cada soteropolitano e soteropolitana. Votar em mim é se ver no espelho, é votar em si próprio.

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