Brasil

Triste fim de Sérgio Moro

Tenho sustentado que Moro e Bolsonaro são as figuras mais abjetas da República brasileira. Ambos demonstram pouco apreço pela legalidade, pelo Estado Democrático de Direito e pelo diálogo que faz parte das relações políticas. São as duas faces da nossa elite, uma mais fingida, cínica, que posa de moderada enquanto persegue, intimida e prende adversários e desafetos ao seu bel-prazer e outra que escancara a truculência e a violência com as quais desde sempre tratam o povo desse país. Uma face não existiria sem a outra, assim como não haveria o bolsonarismo sem o lavajatismo encarnado em Moro. Bolsonaro parecia levá-los para a morte política, morreriam abraçados. Moro, percebendo o estrago, se adiantou e consumou o divórcio (para usar uma expressão que o presidente adora). Porém, como um sujeito de pouca inteligência política (com fortes suspeitas de pouca inteligência intelectual também), Moro deu a Bolsonaro uma grande oportunidade ao sair do governo e entregou nas mãos do presidente a faca e o queijo para lhe enterrar politicamente. 

 No ato da saída de Moro do governo, parte da mídia convencional e alguns analistas embarcavam na narrativa de que o governo Bolsonaro se radicalizaria ainda mais com a saída de Moro, o que se demonstrou uma inverdade. Para se manter, o governo começou a negociar com o Centrão, que desgosta profundamente de Moro. A troca do diretor-geral da PF, o desgaste e a consequente saída de Moro fazem parte do negócio. É, portanto, resultado de negociação do governo com o Congresso, significativo para quem até então tinha como principal divertimento de finais de samana participar de manifestações pedindo o fechamento do Congresso e do STF, bradando que “não iria negociar nada”. Além disso, o governo intimidava mais com Moro e o lavajatismo do seu lado do que sem ele.  

Enquanto Bolsonaro constrói alianças com o Centrão e a centro-direita que pode desembocar numa aliança eleitoral em 2022, o ex-juiz ficou sem aliados políticos e viu a Lava-Jato e seus companheiros de quadrilha caírem no ostracismo. Tentou a carreira de professor e palestrante, mas com a imagem arranhada e com pouco conteúdo para mostrar, não obteve sucesso. Tentou seguir com a carreira de advogado, também sem sucesso. Agora, ruma para deixar o país com destino aos seus adorados EUA e ser esquecido de vez pela população, sacramentando a morte da sua carreira política, que cultivou com tanto esmero desde os seus tempos de juiz. Uma grande vitória para a democracia brasileira. 

Valdeci Rodrigues

Nordestino da Paraíba, vivente no Ceará. Graduando em Ciências Sociais pela UFC(Universidade Federal do Ceará), desenvolve trabalhos na área de Ciência Política e Educação.

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