Brasil

A TRÉGUA DA COVID-19 NO PERÍODO ELEITORAL

Ao que parece, em uma semana em que o país atinge a marca de 150 mil mortos pela covid-19, o coronavírus decide, momentaneamente, se ausentar para que os candidatos façam suas campanhas. Dessa forma, ao final deste período eleitoral, o mesmo retornará, como assim foi firmado o acordo entre o “vírus chinês” e a nossa Justiça Eleitoral.

Ironias à parte, o que se vê são reiteradas aglomerações, como se, efetivamente, o vírus tivesse sido erradicado. A euforia da população aliada à ganância dos candidatos, promoveram diversos aglomerados, ignorando todas as normas de segurança sanitária até então recomendadas. É como se todo esse período de quarentena seguido por boa parte da população tivesse sido um erro nesse tempo de enfrentamento à doença, é como se estivéssemos errados sobre as medidas mais eficazes para conter a disseminação, é como se a própria Ciência estivesse durante todo esse tempo errada.

Consequências? Elas serão vistas nas próximas semanas e, provavelmente, os mesmo que usaram a população como massa de manobra para trazer essa para as ruas e, assim, colocar em risco a vida dos indivíduos, serão os mesmos que irão agir com negacionismo, insistindo, ainda, na realização dos eventos. Esse é só mais um fato (não isolado) que constata, de maneira cristalina, que somos facilmente usados como massa de manobra por políticos que defendem, em sua maioria, interesses pessoais em detrimento do coletivo.

Tinha-se um ideário comum apresentado pela maioria das pessoas no início do período pandêmico de que deveríamos ficar em casa (se pudesse, claro) e mantivéssemos o isolamento social conforme recomendado. Contudo, a despeito da situação política vivenciada por nós em 2018 (de maneira análoga às eleições dos EUA em 2016), em que um candidato à presidência venceu com base em fake news espalhadas nas redes sociais de modo a lhe beneficiar e que, além disso, influenciou diversos indivíduos (tanto é que foi eleito), estamos servindo de objeto popular para que agentes políticos provoquem aglomerações, contrariando à ideia defendida por muitos no início da pandemia.

Podemos estar perto da tão sonhada vacina para a Covid-19, podemos ter reduzido em muito o número de mortos, mas, em hipótese alguma, a doença deixou de permanecer no nosso país, trata-se apenas de negacionismo, banalização da morte e do “deixar de lado” convicções tínhamos como algo correto e prudente a se fazer (ou não fazer), tudo isso em favor dos nosso futuros “representantes”.

Deuzimar Cardoso

Cearense, Estudante de Direito e pesquisador em Ciência Política e Filosofia Política.

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