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Reforma Administrativa às avessas

Sem dúvidas, precisamos profissionalizar a administração pública brasileira, faze-la contemporânea do século XXI, gerando compromisso com resultado e satisfação do usuário. Porém, o que está sendo proposto é uma reforma excludente às avessas, que vai, sob o pretexto de fazer um ajuste fiscal ‘austericida’, sacrificar servidor plebeu, ao mesmo instante em que mantém engavetado o projeto de taxação de grandes fortunas, mantém sub tributadas grandes heranças e conserva a não taxação de IPVA de iates e jatinhos.
As despesas com funcionalismo somadas as três instâncias da administração pública alcançaram cifras que ultrapassam os R$ 920 Bilhões, o que representa 13,6% do PIB de 2019. A natural reação ao dado que por aí é muito difundido sem qualquer explicação é a aversão e repugnância aos supostos privilégios gozados pela integralidade funcionalismo público. O que é ‘esquecido’ na demagogia do discurso neoliberal, porém acontece, é que a grande massa de trabalhadores que estão nessa enorme folha de pagamento são professores, agentes da segurança e saúde públicas, que a despeito de sua inquestionável importância para a manutenção da homeostasia social, são em sua esmagadora maioria, relegados a salários inferiores ao que de fato merecem e precisam para uma vida digna.
Não obstante, a mesma reforma que promete cortar privilégios não deve alterar em nada os gordos salários dos desembargadores, a farra do auxílio-moradia de deputados e juízes e o fenômeno único da aposentadoria integral para militares brasileiros, sabido que a proposta já saiu do gabinete presidencial preservando as regalias dos medalhões do serviço público, que compreendem os Parlamentares, Militares e membros do Judiciário. Paradoxalmente, são justamente esses que vão votar a reforma e aqueles que vão julgar a reforma não estão sujeitos aos efeitos da mesma, somente estão sujeitos a reforma aqueles que não vão vota-la e nem julga-la.

Mateus Pordeus

Acadêmico de Medicina, 22 anos, natural de Sousa/PB

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