Brasil

Se o arroz aumentou meu caro pobre, a culpa é sua!

 

Não é difícil, nos tempos atuais, compreender as falas do atual ministro da economia Paulo Guedes sobre a alta do arroz: “Preço do arroz subiu porque condição de vida dos pobres melhorou”. Deixados de lado os assuntos econômicos específicos que envolvem a questão, busco instaurar uma breve reflexão a partir de uma visão sociológica os significados dessa suposta “melhoria”.

 

No sistema capitalista um dos elementos que diz sobre o indivíduo é a sua capacidade de compra e consumo de bens e serviços. No curso da pandemia, seguiu-se (e continua) um debate sobre o que são os bens e serviços essenciais ou não. Nesse rol, os alimentos (óbvio) e toda sua cadeia logística são consideradas essenciais.

 

Todos! Ricos e pobres, brancos e pretos, homens e mulheres (cis e trans), etc. precisam se alimentar independente de suas formas: carnívoras, veganas, fitness… Todavia, observados os cortes de classe na sociedade brasileira, para os mais pobres alimentar-se além de ser algo essencial para a sobrevivência humana, torna-se algo prioritário, frente a outras demandas existentes no cotidiano. Assim, a fala de uma suposta “melhoria” me faz lembrar os processos de distorção de alguns conceitos, como socialismo, comunismo, fascismo, direita, esquerda… que estão no palco dos debates Brasil a fora. Logo, riqueza e pobreza não escapam desse debate.

 

Pobreza então significaria, no contexto do aumento do arroz e da fala do ministro, uma pobreza em seu nível mais elementar no campo material, em seu nível de sobrevivência da vida humana, que depende do alimento para (sobre)viver. Logo, se o pobre consegue comprar mais alimentos, ótimo! Significa então por parte do Estado e dos mais ricos “com áurea humanista”, que, a vida dessa pessoa pobre melhorou. Já não vai morrer. Pelo menos, não de fome.

 

Essa fala de melhoria, é antes de mais nada uma fala de manutenção do lugar do sujeito em uma determinada posição social. Afinal, se noutros tempos, o termo melhoria significava poder viajar de avião para o exterior e comprar itens alimentícios que não compunham a cesta básica… Nos tempos atuais, e sem espanto caro leitor (por favor), o significado de melhoria é isso! Manutenção dos pobres em seus lugares, e carregando a culpa de sua grande “ascensão” do poder de compra. Se o arroz aumentou meu caro pobre, a culpa é sua!

 

Por fim, só me resta uma última questão: como o pobre de direita está explicando esse aumento?

Antoniel Filho

Mestre em Educação pela UFC. Professor Universitário em IES no Ceará e Pernambuco. Instagram: @antoniel_filho

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2 Comentários

  1. Uma bela esplanação sobre como os pobres são tratados neste país, que deseja manter os pobres bem distantes dia ricos, mesmo que às custas de um quilo de arroz. Parabéns, Antoniel! Texto repleto de reflexão e senso critico e político aguçados.

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