Economia

PREJUÍZO É PRIVATIZAR OS CORREIOS

São raros os exemplos no mundo em que governos cometeram o grande equívoco de entregar o controle de sua empresa de correios a grupos privados, como querem aqui no Brasil, Bolsonaro e Guedes. Nem mesmo os Estados Unidos, o paraíso do bolsonarismo, a terra prometida do neoliberalismo brasileiro, abriu mão do caráter público de seus Correios. Lá como aqui, há monopólio APENAS da área postal, sendo livremente permitida a presença de empresas privadas no setor de encomendas, que é o mais rentável.

Apesar de todas ameaças e críticas, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos(ETC) é uma instituição lucrativa, ainda que essa não seja essa essencialmente sua atribuição-mor, pois a empresa que é pública, foi assim criada para prestar um serviço que é essencial à população, e não precisamente gerar cada vez mais gordos lucros para os seus acionistas, como acontece no setor privado. Ainda assim, em toda a história recente dos correios, somente entre 2013 e 2016 foram obtidos resultados deficitários (quando há prejuízo), sendo da ordem de R$ 16 Bilhões a soma lucros obtidos nos anos superavitários. Em 2019, ano em que o país ainda se recuperava de uma grave crise, de acordo com dados oficiais, os lucros da empresa ultrapassaram as cifras de R$100 Milhões.

Ao contrário do que pensa a maioria, a ETC não produz todo esse lucro por sua capacidade ímpar de entregar nos lugares mais longínquos do país, mas esse lucro é produzido APESAR DISSO. A encomenda entregue pelos correios em Ariquemes, ou transporte de uma carta para Rondonópolis ou Uiraúna não é lucro para a empresa, pelo contrário, é prejuízo. Tais entregas economicamente inviáveis continuam a acontecer somente porque, sendo um órgão público, os correios tem uma responsabilidade social a cumprir. Não é raro se deparar com entregas da FedEx, DHS e outras empresas privadas chegando aos domicílios brasileiros pelas mãos dos Correios, isso acontece porque onde entregar não é economicamente viável, essas empresas simplesmente postam suas encomendas nos correios, terceirizando os prejuízos à estatal.

Funcionário dos Correios realiza entrega de carga do FedEx

É somente através dos lucros obtidos em operações realizadas nos grandes centros comerciais, que os Correios podem subsidiar o serviço para regiões mais remotas, a fim de possibilitar preços acessíveis em qualquer região do país. Nas mãos da iniciativa privada, tal modelo de subsídio cruzado é algo inimaginável, pois, queira você ou não, o objetivo central da esfera privada é o lucro. Portanto, todos os setores considerados não rentáveis, em caso de privatização, poderiam simplesmente ficar descobertos ou inacessíveis.

 

Mateus Pordeus

Acadêmico de Medicina, 22 anos, natural de Sousa/PB

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo