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Alguns super-heróis não usam capas – CONHEÇA A HISTÓRIA DA COMCAP!

Recordo-me, de quando criança, de sair correndo ao ouvir o ‘caminhão do lixo’ se aproximar da minha casa. Assim como muitas crianças fazem até hoje, era sagrado acompanhar a coleta do resíduos sólidos e cumprimentar os garis. Este fato era tão recorrente, que os garis já me conheciam! Muitas das vezes, chegavam a parar o caminhão, para que eu pudesse jogar as sacolas de lixo, da minha casa, no coletor do caminhão. Eles eram os meus heróis! E o meu sonho de criança? Ser GARI! Eu também queria correr atrás do caminhão! A Companhia de Melhoramento da Capital (COMCAP), hoje, chamada de Autarquia de Melhoramento da Capital, faz parte da minha e, da história de muitas pessoas. E, atualmente esta empresa pública, é cruelmente atacada pelo prefeito, reeleito, Gean Loureiro (DEM)!

A história da COMCAP

Surgida na década de 1960, a COMCAP operava como fábrica de lajotas de cimento, vindo a expandir o serviço e, atuando na pavimentação das ruas da capital.

Na década seguinte, a empresa assume a coleta do lixo, uma vez que a empresa privada contratada, além de cara, não atendia aos anseios da população e da gestão. Portanto, o serviço de varrição das ruas, coleta de resíduos sólidos, capinação, limpeza de valas e outros, passa a ser de responsabilidade da COMCAP que, desde então, só vem aumentando a quantidade e qualidade dos serviços prestados. Atualmente, os serviços prestados são: Coleta domiciliar de resíduos, inclusive em locais de difícil acesso, onde o gari sobe, a pé, os morros e/ou escadarias e, traz os resíduos até um local onde o caminhão possa recolher; Remoção de resíduos volumosos (coleta de lixo pesado); Coleta seletiva de materiais recicláveis; Remoção de entulho e de varrição com caixas estacionárias e caminhão caçamba; Capinação mecanizada; Capinação manual; Roçagem; Limpeza de canais e valas a céu aberto; Varrição de ruas e praias, inclusive das praias de difícil acesso, tais como Lagoinha do Leste, Costa da Lagoa, Piscinas da Barra da Lagoa, Naufragados e outras; Administração de estacionamentos e sanitários públicos; Limpeza em eventos, como festas populares, religiosas e promovidos pela Prefeitura Municipal; Programas de mutirões desenvolvidos pela Prefeitura Municipal.

No início dos anos 2000, a então prefeita, Ângela Amim, terceirizou o serviço de coleta de lixo no sul da ilha. E, sabe qual o resultado? Rompeu o contrato, devido a baixíssima qualidade dos serviços prestados, o devolvendo à COMCAP.

Recentemente, a empresa, que era chamada de Companhia de Melhoramento da Capital, torna-se uma Autarquia, vindo a modificar demasiadamente a organização da empresa, em especial, modificou os salários dos novos concursados, que chega a ser uma piada de mau gosto!

Não é de hoje que a COMCAP é atacada pela prefeitura, que tenta sucatear a Autarquia, a fim de privatizá-la. E, quanto mais atacada ela é, maior a resistência dos trabalhadores, junto ao Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal (SINTRASEM). Acima de tudo, eles são fortes!

Campanha

Durante a campanha de 2020, o prefeito que, buscava a reeleição, Gean Loureiro (DEM), esteve no pátio da empresa e, afirmou aos trabalhadores que:

“Nenhum direito lhes serão tirados. Nenhum real será modificado no salário de vocês! E, todos os acordos coletivos serão mantidos. Eu assumo este compromisso!”. 

Gean foi reeleito em primeiro turno, algo histórico na capital e, não demorou muito a descumprir o que havia prometido em campanha. Vamos aos fatos!

 

Entenda o caso

Antes mesmo de assumir a gestão 2021 – 2024, o prefeito teve a audácia de aumentar os salários dos Secretários Municipais, do Vice Prefeito e, dele mesmo, o Prefeito. E, ainda, teve a capacidade de postar um Stories no Instagram, alegando que a notícia do aumento dos salários não passava de fake news. Dias depois, no dia 23/12/2020, o aumento salarial foi publicado no Diário Oficial. Portanto, quem mentiu, foi o próprio prefeito!

Ao iniciar o ano de 2021, o prefeito, que aumentou o seu salário, o do vice e dos secretários, alega que os gastos estavam muitos altos e, que a cidade precisava retomar a economia. Para essa retomada econômica, envia à Câmara dos Vereadores, um pacote de medidas a serem votadas em regime de urgência. Sim, urgência! O prefeito não quer que os vereadores, sequer, tenham tempo para ler as propostas! Dentre as propostas, podemos ressaltar: venda de imóveis públicos, criação de cargos comissionados, desmonte do Conselho Municipal de Educação, privatização da COMCAP e, outros. Ou seja, não há interesse real em retomar a economia. Mas sim, interesses em sucatear a máquina pública municipal e o direito dos seus respectivos funcionários; criar “cabides de empregos”; interferir no sistema de educação, de maneira politiqueira; e, quem sabe, favorecer alguma empresa privada de coleta de lixo!

Desde que a medida foi anunciada, muitos vereadores se posicionaram contra o regime de urgência, solicitando mais tempo para estudarem as propostas. No dia 21/01/2021, ocorreu uma reunião com a comissão especial que visava avaliar os projetos de prefeito. E, pasmem, o líder do governo e, relator da comissão, iniciou e encerrou a reunião em dois minutos! SIM, DOIS MINUTOS! Inclusive, não permitindo que os demais vereadores que participavam da reunião, tivessem o direito à fala. E, para piorar, para o dia 25/01/2021, às 17h, já haverá outra reunião, para que os vereadores entreguem as vistas e, votem no parecer completo. Já, na terça, dia 26/02/2020, ocorrerá a sessão na Câmara.

Os trabalhadores da COMCAP, por sua vez, estão em estado de greve há alguns dias. O prefeito, de modo politiqueiro, contratou uma empresa terceirizada para coletar os resíduos sólidos.

Para se ter uma ideia, por todos serviços supracitados, a COMCAP cobra uma taxa anual de R$248,48 para imóveis residenciais. Os imóveis não residenciais, pagam proporcional ao m² construído. Em contrapartida, os municípios vizinhos, onde o serviço é terceirizado, os cidadãos chegam a pagar quase o dobro do valor cobrado em Florianópolis. Já, o valor total da operação custa aos cofres públicos de Florianópolis, aproximadamente R$420 por tonelada de resíduos recolhidos na cidade. O prefeito, por sua vez, anunciou que a empresa terceirizada, contratada por ele, para coletar os resíduos sólidos, em situação emergencial, cobrará R$176 por tonelada de resíduos, fazendo com que parcela da população se indignasse contra a COMCAP e, até mesmo, apoiando a privatização desta empresa pública. Mas, segundo o SINTRASEM, o que o prefeito não falou é, que o serviço de coleta de reciclados, por exemplo, terá o custo de R$913 por tonelada. Neste sentido, a média do valor do serviço será maior que o que está sendo cobrada hoje. E, nem estamos falando dos demais serviços que a COMCAP presta. Caso ocorra a privatização, aumentará, e muito, o valor da operação e, que obviamente, este valor adicional será incrementado na taxa anual da coleta de resíduos. Portanto, que economia é esta que está sendo almejada, pelo prefeito, para o município? O que tem por trás deste plano econômico da prefeitura de Florianópolis?

Não resta outra saída, a são ser a resistência! Certamente, trabalhadores da COMCAP, vereadores de oposição, sindicato e, parcela da população, continuará a lutar por uma COMCAP pública e, longe de qualquer tipo de precarização e privatização!

Força, Môs Quiridos!

A COMCAP é nossa e, ninguém mexe!

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