Internacional

A mão esquerda de Maradona e as veias abertas da América Latina

25 de novembro. Pela segunda vez na história, a data marca uma ruptura no espirito do tempo da nossa amada América Latina. Há quatro anos, partia Fidel Castro. Ontem, o “mais humano dos deuses”, como escreveu Eduardo Galeano, nos deixou.

Não há aparato possível que explique quem Maradona foi. A grande verdade é que, aquele(a) ou aquilo que possibilitou Diego, é indubitavelmente, terra estrangeira para nós.

Errático, solidário, raivoso, cheio de paixões e contradições, demasiadamente humano. Qualquer um podia reconhecer em Maradona uma “síntese ambulante das fraquezas humanas”. Dito isso, é impossível compreender o personagem sem pelo menos tentar entender o que é ser sul-americano.

Sua vida foi um ato político. Carregou na perna e na mão esquerda, as veias abertas de um continente marcado por injustiça, pobreza e opressão. Viveu e sentiu todas as dores e esperanças como um latino-americano que luta para afirmar o espaço que sempre lhe pertenceu, mas igualmente sempre foi ensinado que não deveria pertencer.

Os grandes feitos vãos além do futebol. Na seleção, canalizou o justo repúdio do povo argentino contra o imperialismo Inglês, diante das feridas deixadas pela Guerra das Malvinas. Em Napoli, foi a redenção do sul, mais pobre e desfavorecido, tratado pelo norte, rico e industrializado, com desprezo e preconceito.

Fora dos gramados, lutou por Justiça Social e pela soberania da América Latina. Muito além do manifesto humano da liberdade e rebeldia, personificou o grito sufocado de revolta e dor de um povo oprimido.

Até sempre, Maradona. A nossa luta para fechar as veias abertas não irá parar.

Hugo Almeida

Militante do Coletivo ParaTodos e Diretor de Universidades Privadas da UNE.

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