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Nós somos parte do pessoal dos direitos humanos

A fala irresponsável da apresentadora Xuxa se referindo a pessoas presas como humanos infratores e de segunda categoria e que podem servir aos de “primeira classe” e “exemplos da sociedade” como cobaias, é a prova de que precisamos discutir a garantia dos direitos humanos a todas e todos.

Esse pensamento da apresentadora não é um caso isolado, ele se repete e vem se repetindo na história, negligenciando direitos fundamentais como a vida, a integridade e a saúde. De acordo com Lélia Gonzales, a população negra vem sendo cobaias no mundo há séculos, por meio do racismo científico que inventou que essa população não sente dor da mesma maneira que as demais. Na contemporaneidade, acrescento, é evidente que o cárcere tem um perfil: negro, pobre e por pouca droga.

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 e assinada por diversos países, inclusive o Brasil, o direito à dignidade, à integridade, à vida e à saúde são direitos fundamentais de todo e qualquer indivíduo humano, NEGRO, BRANCO, AMARELO, INDÍGENA, de QUALQUER RELIGIÃO ou ORIENTAÇÃO SEXUAL. São direitos do SER HUMANO, esteja ele em reclusão ou não.

“Direitos humanos são direitos de todos os humanos, esteja ele em reclusão ou não”

O que a apresentadora propôs na entrevista foi algo como as brutalidades grotescas do Hospital-prisão de Barbacena em Minas Gerais, que por décadas, funcionou com medicalização, torturas e superlotação. Resultado: mais de 60 mil mortos ao longo dos anos. 60 mil vidas humanas.

A história não se repetirá! Não graças aos que pensam como a “rainha dos baixinhos”. A história não se repetirá graças aos bravos defensores dos direitos humanos. São formiguinhas que trabalham incessantemente pela garantia de direitos fundamentais para todos nós.

O Brasil é o segundo país do mundo que mais mata ativistas dos direitos humanos. Segundo o Alto Comissariado da ONU para direitos Humanos, entre 2015 e 2019, 174 brasileiros foram executados, ficando atrás apenas da Colômbia, diante de uma crise entre paramilitares, governo e ex-guerrilheiros. Um ativista brasileiro foi morto a cada oito dias. Precisamos de proteção para lutar pela garantia dos direitos da nossa população! Não há luta em ambiente de medo.

Além disso, o pedido de desculpas da apresentadora, que segundo ela “se expressou mal”, tem sua validade em partes. Seu pensamento é retrógrado e deve ser discutido. Ela sentiu a pressão da internet e colocou um pé atrás. Mas isso não é suficiente. Seu pensamento retrógrado invalida o direito de muitos.

Precisamos combater essa narrativa de que defensores e ativistas dos direitos humanos são defensores de bandidos. Esses ativistas defendem o nosso direito à saúde, à educação, à moradia, à dignidade, entre tantos outros direitos que são básicos e fundamentais em qualquer país civilizado.

Shauan Kevem

Estudante de Enfermagem da Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus, Bahia. Coordenador do Movimento O Povo e o SUS e bolsista do Núcleo de Educação em Enfermagem da UESC.

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