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Bala mata fome? A luta de estudantes em tempos de Bolsonaro

No dia 28 de março de 1968, a ditadura militar covardemente matou com um tiro no peito o estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, de apenas 17 anos. O contexto do crime se deu diante da invasão policial ao restaurante estudantil “Calabouço”, onde vários estudantes protestavam contra o aumento dos preços e pela má qualidade dos alimentos. Ou seja, Edson morreu por que queria “comer e estudar”.

Mesmo cinquenta e três anos após o extremo ato de barbárie que levou à morte do jovem, muitas questões criticadas por Edson Luís voltam a atormentar milhões de estudantes pelo país, principalmente a luta sobre a defesa da educação.

Nos últimos anos, após o golpe proferido contra a presidenta Dilma Rousseff e a eleição de Jair Bolsonaro, a educação tem enfrentado severos ataques, e isto pode facilmente ser verificado quando observamos: (1) os sucessivos cortes nos orçamentos da educação e ciência; (2) as intervenções nas universidades; (3) a cruzada ideológica contra o suposto “marxismo cultural” existente em escolas e universidades; (4) a perseguição a estudantes e docentes que se resistem; (5) a militarização do ensino, colocando as escolas “cívico-militares” como eixos do projeto nacional da educação; (6) o desmonte das políticas de assistência estudantil e permanência; (7) o veto presidencial ao PL 3477 que garantia internet e aparelhos para estudantes, dentre outras coisas.

Em tempos de pandemia, a dialética da exclusão/inclusão está posta, mas ela não deve ser aceitável. Estudantes estão incluídos/as na escola e na universidade pela matrícula, mas há uma exclusão dentro do sistema educacional, uma vez que não há qualquer projeto ou programa que enfrente os dilemas da desigualdade tecnológica, da evasão e da insegurança alimentar e nutricional.

Os tempos são difíceis e os desafios são imensos. Contudo, precisamos mais do que nunca aliar tática e estratégia para derrubarmos Bolsonaro. O destino da educação brasileira e da juventude depende essencialmente da derrubada deste governo. Nossa luta é para que estudante algum(a) mais tombe pela bala, pela fome ou pelo vírus.

Edson Luís, sua luta não será em vão!

 

Hugo Almeida

Militante do Coletivo ParaTodos e Diretor de Universidades Privadas da UNE.

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